terça-feira, 9 de junho de 2009

Simonal – a bruxa da caça comunista

Posto o clipping abaixo como exemplo de que a patrulha da esquerda é mesquinha e ainda hoje age da mesma forma covarde, especialmente na era Lula





“Atrevo-me a dizer que as ditaduras de esquerda são piores, pois contra as de direita pode-se lutar de peito aberto: quem o fizer contra as esquerdas acaba acusado de reacionário, vendido, traidor”

Jorge Amado, Prêmio Stalin da Paz


LP de Wilson Simonal. Carreira de sucesso destruída pelo linchamento moral promovido pela esquerda

Porque tive de conviver durante algum tempo, por razões profissionais, com Carlos Imperial e sua “Turma da Pilantragem”, conheci de perto Wilson Simonal, pupilo bem-sucedido e, à época, o maior e melhor “entertainer” do nosso showbizz. Por isso, e ainda por ter testemunhado boa parte do massacre infligido ao cantor pela esquerda etílica, fui ver o documentário “Simonal – Ninguém sabe o duro que dei”, realizado por Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal (Brasil, 2008).

Embora o documentário faça abordagem incompleta de episódio dos mais degradantes da vida artística nacional, ainda não devidamente explicado ao cidadão comum, “Simonal” parece ser o mais convincente produto da chamada “era da retomada” no cinema – era cujos filmes, em sua generalidade, têm por objetivo falsear a realidade histórica e manipular o inconsciente coletivo segundo preceitos da mixórdia gramsciana, que vê a produção artística como instrumento de transformação política da sociedade, a formatar um novo “senso comum” para a consolidação do socialismo pela trilha da “revolução passiva”. Haja lavagem cerebral!

Vamos por partes (como diria Jack, o Estripador, ao esquartejar mais uma de suas vítimas). O Simonal que conheci nos bastidores do showbizz, na transição dos anos 1960 para 1970, era um tipo refinado de pilantra, ostensivo no tripudiar a “plebe ignara”, quase um deboche público na sua afetação de artista popular que se sabia ídolo. Com efeito, Simonal cortejava certo tipo de presunção imatura que beirava o pernóstico, resquício, quem sabe, de mal-disfarçada insegurança, provavelmente assimilada nos desvãos de uma infância pobre, preta e suburbana.

Mas, curiosamente, no palco, ao vivo - ou em preto-e-branco, na televisão -, ocorria fenômeno invulgar: o “entertainer”, senhor de ouvido absoluto e dotes vocais infinitos, fazia do caráter deformado – bem ao modo de um Macunaíma - elemento de atração irrecorrível, seduzindo a audiência, que babava com o seu swing, a sua picardia e a divisão rítmica perfeita, num prodígio de comunicação só comparável, no plano internacional, ao de um Dean Martin ou Sammy Davis Jr.

Ademais, convém ressaltar que a atmosfera do Brasil daquela época ajudava o cantor: à margem da quizília política, o país era de fato próspero e feliz, tal como o canto do próprio Simonal. Sua população, ainda não dominada pela violência generalizada e a corrupção desenfreada da Era Lula, lotava estádios, auditórios e casas de show para ver e aplaudir de perto o mais contagiante interprete da moderna música popular brasileira (MPB).


Em tais ocasiões, entoando canções descontraídas, sacolejadas por um balanço melódico carregado no recheio de “champignon com caviar” (dizia), o cantor negro levava a platéia ao delírio. Para lembrar aqui imagem cara ao psicólogo Carl Jung, o homem do Inconsciente Coletivo, Simonal ajudava a construir no país eufórico de então, a almejada junção entre o dionisíaco e o apolíneo – isto é, a erigir as bases de uma sociedade exemplar abaixo da linha do equador.
O auge da glória veio quando o artista lançou “País Tropical”, composição de Jorge Ben (hoje, Benjor), um sucesso estrondoso, sambalanço que entoava com pitadas de ufanismo o privilégio de se nascer brasileiro, sem precisar abrir mão da própria – e radiante – brasilidade. Curiosamente, foi a partir deste êxito que Simonal começou a ser devorado, em especial pelos pares sem igual talento, os invejosos e, o pior, a ralé moral comprometida com “a causa revolucionária”.


A primeira parte do documentário, que adota parcialmente a técnica do cinema investigativo, bem estruturada e melhor ainda desenvolvida, trata da ascensão e glória do cantor no meio musical, a partir de depoimentos esclarecedores de personalidades como Chico Anísio, Miele, Pelé. Tony Tornado, Castrinho, Nelson Motta, Simoninha e, entre outras tantas, a critica teatral Bárbara Heliodora, ex-patroa da mãe de Simonal.


Ao acompanhar a trajetória do cantor, de forma elíptica, mas consistente, o espectador toma conhecimento de instantes chaves de sua vida, tais como, por exemplo, o aprendizado nas fileiras do Exército, onde se fez cabo datilógrafo (imagens reproduzidas do filme “É Simonal”, de Domingos de Oliveira. produção de César Tedim); sua integração à “turma da pilantragem”; as primeiras aparições em clubes de subúrbio; as gravações de discos bem-sucedidos; o grande êxito televisivo em programa pessoal (“Show em Si... monal”, na Record), etc., tudo a culminar no dueto com a impecável Sarah Vaughan, numa interpretação primorosa de “Shadow of you smile” - razão pela qual ficamos sabendo porque Simonal era, de fato, um “entertainer” de nível internacional.

A segunda parte do filme – que adota tom ambíguo e despreza aspectos essenciais no enfoque do desencadear da caça a bruxa - diz respeito ao levantamento do massacre moral que levou Simonal ao ostracismo e à morte. Nela, cruzam-se manchetes e recortes de jornais sobre o seqüestro do contador da Simonal Produções, Raphael Viviani – o ponto reversivo do filme. Em torno do fato, seguem-se os depoimentos (evasivos, insensíveis) de Sérgio Cabral (pai), Ziraldo e Jaguar, os inquisidores do “Pasquim”, tablóide da esquerda (festiva) cevada em distorções ideológicas, fofocas, sexo, álcool, samba e rock na roll.


De fato, deu-se o seguinte: em 1971, o cantor descobriu um grande rombo nas contas da sua empresa e, na prerrogativa da justa causa, demitiu o contador que considerava responsável pelo desfalque. Este, por sua vez, negando o ilícito, entrou na justiça do trabalho, pedindo grossa indenização. Dias depois, dois policiais (um deles segurança de Simonal nas horas de folga) foram à casa de Viviani e o conduziram até uma agência do Dops. Aos sopapos, o contador confessou o desfalque.

Mas, no outro dia, a mulher do contador foi à polícia e denunciou o cantor por seqüestro e coação. Como o interrogatório ocorreu nas dependências do Dops, o caso ganhou as manchetes dos jornais e os “companheiros” militantes na imprensa, que odiavam Simonal por considerá-lo um “crioulo besta”, defensor do “Brasil Grande”, transformaram o que seria um caso policial num fato político.

A turma do “Pasquim”, por sua vez, composta por esquerdistas que industrializavam a intolerância ideológica, sem prova alguma, passou a tratar o cantor como informante da repressão (numa das capas do tablóide, aparecia o “dedo-duro” de Simonal). O hemofílico Henfil, cartunista do jornal, na secção conhecida como “cemitério dos mortos-vivos”, dava o artista como “enterrado”, ao lado de Roberto Carlos, Elis Regina (então, de “direita”), Bibi Ferreira, Marília Pêra (então - e também na Era Collor - tida como de “direita”), Roberto Carlos, Pelé, Clarice Lispector, Rachel de Queiroz e Nelson Rodrigues - todos considerados “simpatizantes da ditadura militar”.

No filme, os depoimentos da patota do “Pasquim” trescalam a cloaca moral. Ziraldo, o “Menino Maluquinho por Dinheiro”, querendo minimizar a sacanagem cometida, justifica-se dizendo que Simonal “queria ser o Rei da Cocada Preta” e que “ninguém (à época) tinha isenção de ânimos” – claro, uma mentira deslavada. Já Sérgio Cabral, cara de vampiro bem remunerado, confessa sem pudor que o jornaleco tinha por princípio esculhambar as pessoas que eles achavam que estavam ao lado dos militares. E o alcoólatra Jaguar, ar mefistofélico, entre risadinhas de hiena, dá entender que o contador, afinal, podia ter mesmo roubado o cantor.

Nenhum deles manifesta a menor comoção pelo fato de terem ajudado a levar o artista à ruína, embora mais tarde, num leito de hospital, à beira da morte por cirrose hepática, Simonal apresentasse documento da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (governo Collor) que o isentava de ter sido informante do Dops.


Lá para as tantas, no documentário, aparece o ex-todo-poderoso Boni, antigo executivo da TV Globo, que abre o jogo e revela: “Simonal nunca foi julgado e vaiado pelo público, mas pela própria classe dele e pelos veículos de comunicação”. (E, naturalmente, por ele também, Boni, tendo em vista que, como diretor da poderosa emissora aliada da “ditabranda”, tinha força suficiente para fazer escalar o cantor nos programas musicais da casa. Como Pilatos, lavou as mãos).

Simonal, conforme se sabe, nunca foi “dedo-duro” (ninguém nunca apareceu para comprovar a acusação), mas, coitado, não tinha status intelectual e político (ou moral, se me permitem) para enfrentar de peito aberto a canalha vermelha, naquela altura já amplamente infiltrada nas redações dos jornais e nos púlpitos das igrejas, nas cátedras das universidades e nos palcos teatrais e telas, nos salões da grã-finagem (vide Nelson Rodrigues) e nos desvãos da urbe e do campo, onde, com o dinheiro roubado aos bancos e os sangrentos manuais de guerrilha do “Che” e Fidel à mão, tramavam com afinco o hoje “Estado Forte” da apodrecida Era Lula, esta, sim, repleta de alcagüetes, ladrões, bandidos e mentirosos contumazes. (A favor de Simonal, resta o fato de que nem mesmo o general Golbery, o “Gênio da Raça” e mentor dos militares no poder, conseguiu divisar com quem estava lidando e, na sua visão caolha, no que viria dar a imatura “abertura ampla, gradual e irrestrita”).


Pela falta de clareza política, o documentário, ainda em cartaz, não resiste a um exame crítico apurado. O tratamento ambíguo que perpassa todo o seu desenrolar não resulta no caminho mais indicado para se extrair a verdade dos fatos expostos, perpassados de interrogações – e por isso o filme perde em consistência ética e documental, visto que ao cabo da exibição, não se sabe com clareza a quem cabe a real responsabilidade pela ruína do cantor. Todos os depoentes saem pela tangente, atribuindo a culpa às “dificuldades da época”, uma abstração que não se pode punir. Por conseqüência, o espectador interessado na compreensão completa do caso fica no breu. Talvez por conveniência, impossibilidade ou qualquer motivo ignorado, o filme isenta-se de levantar um sumário de responsabilização do massacre e adota a postura próxima a de um especialista que, dissecado o cadáver, se abstém de concluir o laudo pericial. Para citar Galileu Galileu, uma vítima consciente, “Diante da verdade, quem se contenta com a meia verdade, colabora com a mentira”.

Certo, a busca da verdade é coisa difícil, árida, trabalhosa e muitas vezes só se chega a ela quando se vence todos os temores. Queira-se ou não, a caça ao cantor Wilson Simonal, antes de ser uma questão de intolerância racial, foi um ato de terror político, nutrido, discutido e tramado no seio do entourage comunista, sedimentado na cartilha revolucionária que recomenda esmagar o que lhe aparecer como adverso, mesmo que o adverso seja, como no caso de Simonal, um inocente. E quem conhece a teoria e prática comunista, para além da pregação utópica, sabe bem da capacidade destrutiva do monstro.

De todo modo, do jeito que está, “Simonal – Ninguém sabe o duro que dei” é uma celebração ao melhor e mais livre interprete da nossa moderna música popular, que permite a platéia o (re)encontro de instantes preciosos marcados pela real alegria – coletiva e individual - de cantar e viver.

Antes tarde do que nunca.


Fonte: http://www.midiaamais.com.br/cultura/407-simonal-a-bruxa-da-caca-comunista

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Seres em extinção


gilson_bifano


Um dia desses li um artigo sobre alguns animais e aves que correm risco de extinção. Segundo os biólogos, o tucano, o papagaio, o tigre são alguns dos seres que correm risco de desaparecerem totalmente da face da terra.

Fiquei pensando que existem tipos de maridos, esposas, pais e filhos que também já quase não encontramos mais. Estão em extinção em nossas famílias. Que tipos de "seres" estão em extinção em nossas famílias hoje?

São, por exemplo, aqueles maridos que priorizam a família, que preferem passar mais momentos com a esposa do que com amigos; que procuram atender as necessidades físicas, espirituais, psicológicas e emocionais da esposa; maridos que constroem o relacionamento conjugal com diálogo e oração, que veem o casamento como um compromisso diante de Deus e não como um contrato que pode ser rescindido; que veem vantagens em lutar pelo casamento e que acreditam que o relacionamento conjugal pode ser estável e maravilhoso. Maridos que abrem mão de um emprego melhor para se dedicarem mais à família. Maridos que chamam para si a responsabilidade de liderarem suas famílias em amor e temor de Deus (Ef 5.23).

Seres, esposas, que dizem "não" à obrigação imposta pelo feminismo e por uma sociedade de consumo e resolvem diminuir o salário familiar para se dedicarem à família. Mulheres que priorizam a família em detrimento do carreirismo. Mulheres que amam seus maridos e lhes são submissas, que vivem de acordo com os princípios bíblicos das relações conjugais (Ef 5.22). Mulheres que não se sentem menos mulheres por ficarem em casa cuidando do maior bem de uma família, os filhos.

Seres, pais e mães, que deem a devida importância aos filhos, que os coloquem para dormir à noite com um beijo, uma oração e, quando são pequenos, contando uma história. Que participem das reuniões escolares, que sejam bons exemplos de vida e que influenciem positivamente a vida espiritual, moral, social, psicológica e emocional de seus filhos. Pais que oram e realizam o culto doméstico. Acho que esses já estão incluídos na lista dos extintos.

São aqueles seres jovens que amam a Deus e se comprometem com a vida cristã, que não se deixam envolver pelas práticas "deste mundo"; que sabem diferenciar entre a vontade própria e a vontade de Deus, entre o ensino secular e o ensino da Bíblia, entre o certo e o errado. Jovens, rapazes e moças, que a exemplo de Daniel e seus amigos, decidiram firmemente não se contaminar com as iguarias oferecidas pelo mundo (Dn 1.5-15). Jovens que respeitam, amam, obedecem e reconhecem o verdadeiro valor de seus pais. Homens e mulheres solteiros que não são levados pela filosofia de um mundo sem Deus e que procuram, acima de tudo, obedecer à Palavra.
São alguns seres em extinção. Preservá-los é uma tarefa de todos aqueles que amam a família. Criar condições para que tenhamos muitos deles por ai é uma tarefa árdua, mas plenamente possível. Para tanto, como igrejas, precisamos investir mais e mais no ministério com casais e famílias, traçando e elaborando programas que contemplem a formação de uma nova geração de homens e mulheres que amam verdadeiramente a família.

Pr. Gilson Bifano
Pastor, líder do Oikos, Ministério Cristão de Apoio a Família; pós-graduado em Terapia da Família; pedagogo, escritor e filósofo. www.clickfamilia.org.br


terça-feira, 14 de abril de 2009

Que tal acender os faróis?

Certos hábitos dos motoristas brasileiros merecem profundos estudos psicológicos. Em alguns, procura-se economia de algo, como o perigoso hábito de descer uma serra com o carro desengrenado ("na banguela"). Em outros, conforto. O "afrouxador" de cinto de segurança é um exemplo. Mas o mais estúpido talvez seja o péssimo, perigoso e, diria ainda, assassino hábito de andar apenas com a "lanterna" ligada.

O hábito de não usar os faróis baixos durante a noite, dentro de um túnel ou garagem, remonta os anos 50. E não se sabe quem resolveu achar que é melhor ver menos e ser ainda menos visto que trocar uma lâmpada de farol de tempos em tempos. Alguns dizem que foram os taxistas, onerados com as trocas dos antigos faróis "sealed-beam" que queimavam a toa com os buracos e geradores não tão estáveis dos carros de outrora. Só há uma certeza. O hábito está profundamente arraigado no motorista brasileiro.

Em muitos países do primeiro mundo, o hábito de acender os faróis de dia fez com que até 90% dos atropelamentos deixassem de acontecer, em alguns locais. Não precisa nem pensar muito: se 100 pessoas morrem atropeladas todo ano, passaram a morrer apenas 10. Seriam 90 mortes desnecessárias, sem falar nos prejuízos emocionais e financeiros para as famílias e motoristas envolvidos em cada acidente. Mas no Brasil o problema nem é acender os faróis de dia. De fato, os motoristas de alguns estados tem o hábito de fazê-lo durante o dia, nas estradas, o que já e alguma coisa.

Mas obrigar os motoristas a trafegarem com farol aceso de dia pode ser resolvido com apenas uma lei, que provavelmente vai "pegar" pois é fácil detectar quem está aceso, quem está apagado e multar, único tipo de punição que o brasileiro tem medo. O problema maior é acabar com esse péssimo hábito, e fazer os motoristas acenderem os faróis A NOITE!

Pode parecer estória de maluco, mas os motoristas brasileiros não trafegam com os faróis ligados nos horários em que eles são mais necessários: a noite! Uns alegam que eles ofuscam os motoristas, o que só é verdade se estiverem em mal estado ou usarem lâmpadas ilegais. Outros dizem que estão economizando bateria e possíveis trocas de lâmpadas. Ora, quem precisa economizar isso não deveria nem ter carro. São aqueles que andam sem pagar IPVA, multas e ignoram os aspectos mais básicos da manutenção de um veículo. Há, ainda, os que alegam que não são necessários, pois a iluminação pública das cidades é suficiente. Façam-me o favor: um dos maiores problemas das cidades brasileiras é a iluminação pública!

Dias atrás, estava em um restaurante situado ao lado de uma esquina movimentada do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Resolvi fazer uma breve e pouco precisa pesquisa anotando pauzinhos no papel da mesa do restaurante... De cem carros "pesquisados", 61, isso mesmo, 61 carros trafegavam apenas com as "lanternas" ligadas, ou seja, nem mesmo com faróis baixos acesos. Entre os notórios motoristas que estão contra a lei estão os taxistas, motoristas de vans e ônibus.

Trafegar com os faróis acesos é algo básico pois permite que o motorista consiga enxergar melhor a via, os pedestres, os outros carros, mas, acima de tudo, permite que o carro que dirigimos SEJA VISTO! As batidas em cruzamentos a noite são comuns pois os motoristas nas vias não-preferenciais avançam sobre o cruzamento para ver se algum carro vem, colocando a frente do carro praticamente no meio. Isso seria muito mais fácil se os carros andassem com faróis acesos. O carro na preferencial seria visto antes e não haveria a necessidade de "colocar o bico" do carro no meio do cruzamento para saber se dá para continuar. E se o carro que tenta sair da esquina estivesse com faróis acesos, o motorista da preferencial não tomaria um susto ao ver alguém tentando pular na sua frente. É basicamente uma questão de ver e ser visto. Ou simplesmente "sentir" que um carro está se aproximando, o que normalmente acontece quando "sentimos" que um carro vem por usarmos nossa visão periférica.

O mesmo vale para shoppings e garagens em geral. Andar com os faróis acesos pode significar ser visto por uma criancinha correndo entre carros estacionados. Há anos atrás um tio bateu forte em um estacionamento de shopping. Os dois carros, o dele e o do sujeito que vinha pela preferencial, estavam apenas com as "lanternas" ligadas. Se estivessem com os faróis acesos, um dos motoristas poderia perceber algo errado décimos de segundo antes do acidente. E, neste caso, houve vítimas não-fatais, mas que carregam até hoje as marcas da irresponsabilidade.

Outra moda comum entre o pessoal dos clubes é ligar as setas (ou piscas) na lanterna, desativando a lâmpada branca dentro do farol. Normalmente a área acesa é menor ainda e, de qualquer forma, não há facho iluminando a pista, paredes, outros carros, algo que facilite a percepção que algo está se aproximando.

Há, ainda, outro fator importante. Com os faróis acesos, os diversos elementos do trânsito (pedestres, motoristas trafegando em sentido contrário, motoristas tentando entrar na via) conseguem definir com mais precisão a distância que o seu veículo se encontra e, consequentemente, avaliar se há tempo suficiente para uma ultrapassagem ou entrada na via. Quantas vezes não estamos trafegando em uma via e alguém tenta "entrar" subitamente na via? Rapidamente piscamos o farol alto e o motorista "entrão" logo para, pois passa a ter uma percepção melhor que estamos trafegando com velocidade grande ou perto demais.

Em túneis, especialmente os das grandes cidades ou de pequeno comprimento, há motoristas que sequer acendem os faróis. Tamanha irresponsabilidade bota em risco nossas vidas e de todos ao redor.

Acreditem: há um projeto de lei, de autoria da deputada Selma Schons, do PT do Paraná, que proíbe o uso dos faróis durante o dia, o que vai contra tudo o que foi provado nas pesquisas internacionais. Mais um bom exemplo da capacidade de nossos deputados e vereadores em legislar sobre algo que vai efetivamente melhorar nossas vidas...

Antes de entrarmos no debate sobre acender as luzes de dia, obrigatório ou recomendado em toda a Europa, Canadá, EUA, Austrália, que tal pensar um pouco sobre acender os faróis À NOITE?

Um par de boas lâmpadas custam R$ 50,00. E acesas por algumas horas, todos as noites, vão durar anos. Apagadas podem trazer conseqüências que podem durar dias, anos ou uma vida inteira.


Julio Cohen

sexta-feira, 27 de março de 2009

A intolerância bíblica


Quero enfatizar esta verdade, asseverando que existe, na fé cristã, um lado de intolerância. Vou mais além e afirmo que, se não temos visto este lado intolerante da fé, provavelmente nunca vimos verdadeiramente a fé.
Existem muitos mandamentos nas Escrituras que substanciam a afirmativa de que colocar mais alguém ao lado de Jesus, ou falar de salvação à parte dEle, ou sem que Ele seja o centro dela, é traição e negação da verdade. O apóstolo Pedro, dirigindo-se ao sinédrio em Jerusalém, disse: "porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (At.4:12).

Todo falso ensinamento deve ser odiado e combatido. O Novo Testamento nos diz que assim fez nosso Senhor e todos os apóstolos, e que eles se opuseram e advertiram as pessoas contra isso.

Mas pergunto novamente: isto é realizado hoje? Qual sua atitude pessoal quanto a isso? Acaso é você uma daquelas pessoas que diz que não há necessidade dessas negativas, e que deveríamos estar contentes com uma apresentação positiva da verdade? Subscrevemos o ensinamento prevalecente que discorda de advertências e críticas ao falso ensinamento? Você concorda com aqueles que dizem que um espírito de amor é incompatível com a denúncia crítica e negativa dos erros gritantes, e que temos de ser sempre positivos? A resposta mais simples a tal atitude é que o Senhor Jesus Cristo denunciou o mal e os falsos mestres. Repito que Ele os denunciou como "lobos vorazes" e como "sepulcros caiados" e como "guias cegos". O apóstolo Paulo disse de alguns deles: "o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia". Esta é a linguagem das Escrituras.

Pode haver pouca dúvida, mas a Igreja está como é hoje porque não seguimos o ensinamento do Novo Testamento e as suas exortações, e nos restringimos ao positivo e ao assim chamado "Evangelho simples", e fracassamos em acentuar negativas e críticas. O resultado é que as pessoas não reconhecem o erro quando se defrontam com ele. Aceitam aquilo que aparenta ser bom, e se impressionam com aqueles que vem às suas portas falando da Bíblia e oferecendo livros sobre a Bíblia e profecias e coisas deste tipo. E eles, na condição de sua ignorância infantil, freqüentemente ajudam a propagar o falso ensinamento, porque não conseguem ver nada de errado nele. Além disso não compreendem que o erro deve ser odiado e denunciado. Eles imaginam-se a si mesmos cheios de um espírito de amor, são iludidos por satanás, a fera destruidora que estava no encalço delas, e que, num bote súbito, os agarrou com sua esperteza e sutileza.

Não é agradável ser negativo; ter que denunciar e expor o erro não dá alegria. Mas qualquer pastor que sinta, em pequena medida, e com humildade, a responsabilidade que o apóstolo Paulo conhecia num grau infinitamente maior pelas almas e o bem estar espiritual de seu povo, é forçado a fazer estas advertências. Isto não é desejado nem apreciado por esta moderna geração moralmente fraca. Muito amiúde a bancada tem controlado o púlpito e grande dano tem sobrevindo à Igreja. O apóstolo adverte a Timóteo que virá um tempo em que as pessoas "não suportarão a sã doutrina". Este é freqüentemente o caso no tempo presente, e assim tem sido durante este século. Por isso é importante que cada membro deva ter uma concepção real da Igreja e do ofício do ministro em particular.

Hoje há no mundo igrejas que na superfície parecem ser igrejas florescentes. Multidões se agregam a elas e demonstram demasiado zelo e entusiasmo. Mas num exame mais acurado descobre-se que a maior parte do tempo é tomado por música de vários tipos, e com clubes e sociedades e atividades sociais. O culto começa e tem que terminar exatamente
uma hora depois, e haverá sérios problemas se isso não ocorrer! Há apenas uma breve "reflexão" de quinze minutos, vinte minutos no máximo. O infeliz ministro, se não enxergar estas coisas com clareza, teme ir contra os desejos da maioria. Sua sobrevivência depende dos membros da igreja, e o resultado é que tudo é feito para se conformar aos desejos e anseios da congregação.

Mas deixe-me acrescentar que o ministro também não pode impor. É o próprio Senhor quem determina, Aquele que está assentado à mão direita de Deus e que deu "alguns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores" (Ef.4:11). Ele os deu para a edificação dos membros da Igreja, e é a mensagem dELE que deve ser pregada sem temor nem favor. Precisamos recuperar algo do espírito de John Knox cuja pregação fazia tremer a Maria, rainha dos Escoceses.

O trabalho do ministro é edificar o corpo de Cristo. A ocupação do ministro é edificar a Igreja, não a si mesmo! Eles têm muito freqüentemente edificado a si mesmos, e temos lido de príncipes da igreja vivendo em posições de grande pompa e riqueza. Isto é uma gritante deturpação dos ensinamentos de Paulo! Observemos que os ministros são chamados para edificar, não para agradar nem entreter. O modo pelo qual deveriam fazer isso está resumido perfeitamente naquela passagem, imensamente lírica, de Atos 20. O apóstolo Paulo está se despedindo dos presbíteros da igreja de Éfeso, à beira mar, e eis o que ele diz: "Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor e à Palavra da Sua graça, que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados" (v.32). "Palavra da Sua graça, que tem poder para vos edificar"! Não é surpresa que a igreja seja o que é hoje, pois lhe têm sido dados filosofia e entretenimento. Por meio delas um ministro pode, por enquanto, atrair e segurar uma multidão; mas não pode edificar; a tarefa dos pregadores é edificar, não atrair multidões. Nada edifica a não ser a Palavra de Deus sem adulteração. Não há autoridade fora dela; e ela não pode de modo algum ser modificada ou nivelada para se adaptar à moda da ciência moderna, ou a alguns supostos "resultados confirmados da crítica" que está sempre em modificação. É o "eterno Evangelho" e é: a "Eterna Palavra" a mesma que Paulo e os demais apóstolos pregaram, a mesma Palavra que os Reformadores protestantes pregaram, os Puritanos, e os grandes pregadores de duzentos anos atrás, como também Spurgeon no último século, sem qualquer modificação que fosse. É pelo fato de isso ter sido tão amplamente esquecido nos últimos cem anos que as coisas hoje estão como estão.

D. M. Lloyd-Jones
Fonte: Jornal "Os Puritanos" Ano III No. 3

terça-feira, 17 de março de 2009

A POUPANÇA, A GASTANÇA E A DÍVIDA

Reinaldo Azevedo mais uma vez acerta na mosca ao apontar o já manjado "modus operandi" petista nessa historia de mexer na poupança.


Por Reinaldo Azevedo


Todas as ações do petismo, e essa conversa sobre a poupança não é diferente, são anunciadas de forma embaralhada: com cortina de fumaça, contrabando ideológico e retórica de quinta, opondo os "rícu" — no caso, leia-se a classe média — aos "póbri”. No fundo, a lambança tem um objetivo: esconder a própria incompetência ou abster-se do ônus de governar em tempos difíceis.

Em janeiro do ano passado (pouco mais de um ano atrás), o governo Lula anunciou, com pompa, mudanças nas regras da caderneta de poupança. Naquela ocasião, esse investimento registrava sua menor rentabilidade em dez anos (sempre lembrando que já havia atuado em 2007 para baixar a sua remuneração – ver post abaixo). No ano passado, para proteger os pequenos poupadores, os pobres, os desvalidos, o CMN alterou o cálculo da TR para garantir uma remuneração mínima de 0,5% ao mês, o piso previsto, diga-se, em uma lei de 1991 e que corria o risco de ser atropelado pelas taxas naturais do mercado.

Faziam aquilo para proteger o poupador, certo? Agora pensam em fazer justamente o inverso e anunciam que pretendem... proteger o poupador!!! Lula está sempre ajudando o povo: quando faz uma coisa e também quando faz o seu contrário.

Mas por que mudar a poupança agora? O que aconteceu na verdade? É que a crise está aí, com o despertar súbito e tardio do governo para a necessidade de reduzir freneticamente a Selic — o que antes parecia ser um pecado de lesa economia. A poupança está rendendo 0,64% ao mês, e os fundos, descontado o Imposto de Renda, 0,55%. A poupança se tornou mais atraente frente à remuneração dos fundos de investimentos, atrelados a uma Selic em queda.

A classe média, coitada!, tende, então, a tirar dinheiro dos fundos de investimento e a colocar na poupança. Mas qual é o problema? Por que ela não pode fazer isso? É pecado? É errado? Não! O problema é que, em última análise, o governo não terá como rolar sua enorme dívida interna sem voltar a elevar os juros. E os juros têm de cair. Sim, é com o dinheiro dos fundos, da classe média, que o governo alimenta a gastança pública. Alguém pensou em reduzir gastos nesse tempo? Não! Todo o esforço foi para elevá-los.

Mas o Brasil não tinha atingido o nirvana? Não havia solucionado o problema do déficit externo e ainda afugentado, por tabela, o risco de não rolar sua dívida interna? Os investidores externos não haviam se apaixonado tanto pelo país que jogavam dinheiro quase de helicóptero? É... Essa fase acabou — e muita gente alertou para o seu fim. Enquanto ela durou, o governo não reduziu seus gastos nem os juros. Agora é obrigado a fritar o peixe (reduzir a Selic) e olhar o gato (tungar a poupança). A vesguice custa caro. E o poupador pode ter de pagar.

É ilegal mexer na poupança? Boa coisa não é. Existe a tal lei de 1991 prevendo essa remuneração de 0,5% ao mês. Governos, de vez em quando, mexem na remuneração dessa modalidade de investimento. Alguns legalmente. Outros nem tanto. Lula disse em Nova York que pretende alterar as regras de maneira a proteger o pequeno poupador — e, suponho, atrapalhar a vida da classe média. O que ele quer dizer com isso? A menos que vá criar uma Taxa Zelite e uma Taxa Povão, todos ganharão menos igualmente. Em 2007, quando caiu a remuneração, o “povo” que cobrou a mudança mais enfaticamente é aquele que faz passeata nos corredores da Frebaban. Eesse “povo” também não vê muita graça na migração do dinheiro dos fundos para a poupança.

E, claro, não deixarei, como sempre, de, estando neste ponto, dar uma espiadela na política. Já imaginaram um PT na oposição, com, sei lá, os tucanos e os democratas ameaçando reduzir os ganhos da poupança para “proteger” os poupadores? “Ah, Reinaldo, dado o que se tem aí, é o melhor a fazer”. É? Ainda que seja, é preciso chamar as coisas pelo seu nome.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O debate científico que ainda não ocorreu


MÍDIA & CRIACIONISMO

O debate científico que ainda não ocorreu

Por Enézio Eugênio de Almeida Filho em 23/2/2009

O Observatório da Imprensa é um dos poucos veículos que praticam jornalismo pluralista aqui no Brasil. Não podia ser diferente: é dever do OI observar objetivamente (em tese) a prática jornalística no Brasil, louvá-la ou criticá-la. Depois das comemorações dos 200 anos de Darwin, o OI vem concedendo espaço nunca antes concedido aos criacionistas para expressarem suas idéias:

"Rivalidade ou mal entendido?", da jornalista Ágatha Lemos

"A Darwin o que é de Deus", do pastor Douglas Reis

"Endeusando Darwin em clima de guerra", do jornalista Michelson Borges

O que a Grande Mídia Tupiniquim (GMT) publicou no Brasil celebrando os 200 anos de Darwin é simplesmente abominável como prática de jornalismo, enquanto jornalismo científico. Os artigos foram ideologicamente motivados por um positivismo e demarcacionismo epistemológico há muito superados. Polarizaram novamente a questão como sendo apenas ciência (racional) versus religião (irracional).

Leitura nas entrelinhas

Essa controvérsia é resíduo do ranço materialista do século 19. A controvérsia no século 21 não é se as especulações transformistas de Darwin contrariam relatos de criação das concepções religiosas, mas se as evidências corroboram Darwin. Elas não corroboram, e aí está o ponto científico que deveria ser abordado ouvindo-se os dois lados publicamente. Elas apontam em outra direção: design inteligente.

Mesmo demonizando e desvirtuando o criacionismo e as teses do design inteligente, a GMT não seguiu a máxima de Marcelo Leite de não dar espaço aos críticos de Darwin. Os criacionistas, então, ficaram extasiados com o espaço amplo que lhes foi concedido, algo impensável há alguns anos. Mas deixaram de ler nas entrelinhas:

1. A nomenklatura científica e a GMT instalaram uma kulturkampf no Brasil que não existia e estão blindando Darwin de quaisquer críticas, mesmo as científicas, sobre a robustez epistêmica de sua teoria em um contexto de justificação teórica;

2. Os criacionistas se tornaram "inocentes úteis" nas mãos da GMT e da nomenklatura científica. Repare que a GMT não convidou nenhum proponente da teoria do design inteligente aqui no Brasil. Olha que nós temos gente que é membro da Academia de Ciências...

3. Toda a crítica à teoria da evolução de Darwin é uma crítica à ciência.

Que a louvaminhice, o beija-mão e beija-pé de Darwin iriam à beira do êxtase naturalista ninguém discute. Que a nomenklatura científica e a GMT iriam "ressuscitar" e "instalar" uma kulturkampf no Brasil ninguém esperava.

Respostas pré-programadas

Eu vou jogar uma ducha de água fria nos criacionistas para que eles saiam de seu estado de êxtase, torpor de visões do terceiro céu midiático. Vocês estão sendo inocentemente usados pela GMT como escudo protetor de Darwin contra as críticas científicas robustas daquilo que ele se propôs explicar: a origem das espécies através da seleção natural.

Eu não me lembro de ter lido na Veja, Época, Scientific American Brasil, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Superinteressante ou Galileu e nem assistido, no Fantástico, alguns destes questionamentos teóricos:

1. O mecanismo neodarwinista de seleção natural agindo sobre as variações aleatórias não parece ser suficiente para produzir: (a) nova informação genética especificada; (b) sistemas e máquinas moleculares "irredutivelmente complexos", "funcionalmente integrados" (como os motores bacterianos, circuitos de transdução de sinal ou o sistema de coagulação sanguínea; (c) novos órgãos e novas estruturas morfológicas (tais como as asas, penas, os olhos, a ecolocação, o ovo amniótico, a pele, os sistemas nervosos e a multicelularidade; (d) novos planos corporais.

2. Muitos mecanismos de mudanças evolutivas significantes não dependem de mutações aleatórias, como exige o mecanismo neodarwinista, mas parecem ser dirigidos por respostas pré-programadas aos estímulos ambientais.

Teoria do ancestral comum

3. O padrão de surgimento abrupto das espécies, a falta de elos no registro fóssil (como visto na explosão cambriana), a revolução marinha no mesozóico e o grande desabrochar de vida das plantas angiospermas não se conformam com as expectativas neodarwinistas sobre a história evolutiva da vida.

4. Evidências da biologia do desenvolvimento sugerem limites nítidos para a quantidade de mudança evolutiva que as coisas bióticas podem sofrer, lançando dúvidas sobre a teoria darwinista do ancestral comum e sugerindo uma razão para a estase morfológica no registro fóssil.

5. Muitas estruturas homólogas (e até algumas proteínas) derivam de genes não-homólogos, enquanto que muitas estruturas dessemelhantes derivam de genes similares, contradizendo as expectativas do neodarwinismo nos dois casos.

6. Os programas de desenvolvimentos (inferidos) entre os animais metazoários do período cambriano são dessemelhantes (ou não conservados), contrariando as expectativas neodarwinistas.

7. O código genético não tem sido "provado" universal, contrariando as expectativas neodarwinistas baseadas na teoria do ancestral comum [todos esses questionamentos teóricos estão baseados na literatura científica recente e de livre acesso aos professores e alunos de universidades brasileiras públicas e privadas através do site http://www.capes.gov.br(clique em Periódicos)].

Falta de liberdade acadêmica

Essas são algumas das evidências que contrariam a robustez epistêmica da teoria geral da evolução de Darwin que a nomenklatura científica não quer que venham à tona, muito menos sendo abordadas em veículos midiáticos da Grande Mídia brasileira.

Ciência versus religião? O debate que precisa ser debatido é este: a teoria da evolução de Darwin passa por uma crise epistêmica em um contexto de justificação teórica? Passa, tanto é que a nova teoria geral da evolução, a Síntese Evolutiva Ampliada, não será selecionista. A teoria do design inteligente, como teoria de informação complexa e especificada, será academicamente discutida?

Esse é o tipo de debate que Darwin, sem dúvida, aprovaria: as controvérsias científicas ajudam no desenvolvimento da ciência porque em ciência não existe theoria perennis. Nem a teoria da evolução de Darwin.

Infelizmente, esse debate não ocorre livremente nas universidades brasileiras públicas e privadas, e não é abordado francamente pela Grande Mídia. Isso é falta de liberdade acadêmica e flagrante violação da nossa cidadania em ter acesso a informações científicas atuais sobre o status da teoria geral da evolução em um contexto de justificação teórica.

Esse é o debate que ainda não correu no Brasil.
Fonte: http://pos-darwinista.blogspot.com/

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Removendo o tumor maligno do terrorismo


Natan Sharansky

A guerra de Israel em Gaza foi recebida com brados de protesto ao redor do mundo. Eles vieram de duas fontes:

Primeiro, há aqueles que se opõem a qualquer esforço israelense de auto-defesa, principalmente porque acham que um Estado judeu nem mesmo deve existir. Essa é uma forma de anti-semitismo, e tal ponto de vista deveria ser logo descartado, sem que se argumente contra ele.

Em segundo lugar, há aqueles que apóiam a existência de Israel, mas acreditam que foi errado promover um ataque tão duro contra a Faixa de Gaza.

Esse argumento assume duas formas: (1) que a resposta de Israel é desproporcional e, portanto, errada; e, (2) que há formas menos violentas de lidar com o Hamas – através de pressões internacionais, sanções ou negociações.

As duas alegações, por mais lógicas que possam parecer, ignoram as lições da história, inclusive a história recente de Israel no combate ao terrorismo. Nos dez anos em que servi como ministro no Gabinete de segurança de Israel, aprendi como tais argumentos podem ser equivocados.

Praticando o comedimento

Em 1º de junho de 2001, um homem-bomba suicida atacou a entrada da discoteca Dolphinarium em Tel Aviv. Vinte e um israelenses, em sua maioria jovens, foram mortos e mais de 130 ficaram feridos. Esse foi o último de uma série de ataques suicidas que tinham sido lançados desde o início da Segunda Intifada em setembro de 2000.

No dia seguinte, participei de uma reunião dramática do Gabinete para discutir nossas opções – uma reunião realizada no Shabbat, justificável apenas por uma emergência real. A maior parte dos ministros achava que era necessário tomar medidas decisivas.

Oficiais militares apresentaram um plano para erradicar a infra-estrutura do terror, através de uma campanha complexa no coração das cidades e dos campos de refugiados palestinos. Apesar do ataque ter sido cometido pelo Hamas, estava claro que o líder palestino Yasser Arafat tinha lhe dado luz verde. Tínhamos tanto o direito quanto a capacidade para contra-atacar.

No decorrer da reunião, porém, nosso ministro do Exterior entrava e saía da sala, falando [pelo telefone] com líderes mundiais, transmitindo-nos o que tinham dito. Sua mensagem era clara: no momento, Israel contava com a simpatia da comunidade internacional.

Enquanto mantivermos nossa resposta militar no mínimo, o mundo continuará do nosso lado, e a crescente pressão diplomática irá controlar o terrorismo, disse ele. Mas, se lançarmos um ataque em grande escala contra os terroristas, arriscamo-nos a perder o apoio mundial e a transformar Arafat de agressor em vítima.

Resposta proporcional

Finalmente, o primeiro-ministro foi convencido pela abordagem dele, e tomou-se a decisão de adotar uma resposta proporcional – ataques localizados a células terroristas, operações especiais, prisões – e de permitir que a diplomacia exercesse sua mágica.

Nos próximos nove meses, Israel moderou seu fogo, e o mundo realmente condenou o terrorismo. Mas os ataques simplesmente aumentaram.

No coração de Tel Aviv e Jerusalém, homens-bomba suicidas explodiram cafeterias, ônibus e hotéis. A vida noturna acabou, o turismo foi dizimado e os hotéis tiveram de despedir a maior parte dos seus trabalhadores. Um dos meus colegas no governo, Rehavam Ze’evi, foi abatido por terroristas.

Nesse meio-tempo, os EUA sofreram seu próprio ataque terrorista em 11 de setembro [de 2001] e fizeram intensas pressões sobre nós para que não retaliássemos contra os palestinos, com medo de que isso complicasse sua própria guerra com a Al-Qaeda.

A situação chegou a um clímax em março de 2002, quando mais de 130 israelenses foram mortos num só mês – sendo que o ataque mais infame ocorreu em 27 de março, na véspera da Páscoa, no Park Hotel em Netanya.

No dia seguinte, o Gabinete reuniu-se – novamente num encontro extraordinário durante um feriado religioso. A reunião começou às 6 da tarde e prosseguiu durante toda a noite.

Dessa vez, porém, o governo decidiu lançar a Operação Escudo Defensivo – o mesmo plano que as Forças de Defesa de Israel (FDI) tinham apresentado no ano anterior.

Piores temores

Na arena internacional, concretizaram-se nossos piores temores.

As Nações Unidas nos condenaram, os EUA enviaram o secretário de Estado Colin Powell para nos dizer que deveríamos parar imediatamente com os ataques. A mídia global montou uma campanha brutal para nos retratar como criminosos de guerra, espalhando falsos rumores sobre a matança indiscriminada de civis palestinos, descrevendo a operação como a pior atrocidade da história moderna.

O mais chocante desses rumores foi o libelo de Jenin, que foi mostrado em um filme produzido basicamente a partir da imaginação fértil do seu diretor, e então apresentado ao redor do mundo.

Não vinha ao caso que, na realidade, Israel tinha tomado medidas sem precedentes para minimizar o número de vítimas civis, até mesmo deixando de usar bombardeios aéreos ou fogo de artilharia, fazendo seus próprios soldados assumirem riscos sem precedentes; ou que a comissão da ONU criada para investigar Jenin foi logo dissolvida por falta de evidências; ou que o diretor do filme admitiu ter ludibriado seu público.

Reputação destruída

Durante anos, o “Massacre de Jenin” foi a peça central da máquina de propaganda anti-israelense, reverberando pela Europa e noscampi americanos, como símbolo da iniquidade israelense. Nossa reputação estava em frangalhos.

Entretanto, tudo isso foi um preço baixo a pagar por aquilo que Israel ganhou. Em poucas semanas o terrorismo palestino foi desativado, e o número de israelenses mortos caiu de centenas por mês para menos de uma dúzia no decorrer do ano seguinte. A economia voltou a se movimentar.

Não menos importante foi o efeito que a Operação Escudo Defensivo teve sobre os próprios palestinos. Com a infra-estrutura terrorista removida, os palestinos puderam iniciar a reconstrução das suas instituições civis e mudar sua atitude em relação à violência.

No decorrer do tempo, a política de promoção do terror de Arafat foi substituída pela abordagem bem mais cautelosa do seu sucessor, Mahmoud Abbas.

Renascimento da Margem Ocidental

Em mais de seis anos desde a operação, a economia da Margem Ocidental floresceu. Se há esperança na Margem Ocidental hoje em dia, é porque Israel abandonou as idéias de proporcionalidade e diplomacia para lidar com o terrorismo.

Os palestinos da Margem Ocidental sabem disso; por essa razão não se juntaram à condenação mundial desenfreada de Israel pela guerra em Gaza. Enquanto dezenas de milhares protestaram na Europa, a maior parte dos moradores da Margem Ocidental ficou silenciosa.

Entender a guerra em Gaza significa reconhecer as lições de 2002. Durante os três anos que se passaram após a retirada de todas as tropas e dos assentamentos da Faixa de Gaza em 2005, Israel optou por responder de modo proporcional e diplomaticamente aos ataques mortais diários do Hamas com seus foguetes.

O resultado? Mais foguetes, mais mísseis, mais miséria para os palestinos – e espaço suficiente para o Hamas tomar conta da Faixa de Gaza, devastar sua sociedade, montar um arsenal muito mais poderoso do que o que tinha em 2005 e tornar-se a vanguarda do expansionismo iraniano na região.

Tratamento do câncer

O terrorismo é um câncer que não pode ser curado por tratamentos “proporcionais”. Ele exige cirurgias invasivas. Ele não somente ameaça Estados democráticos, mas também – principalmente – os civis locais que são obrigados a se juntar às suas fileiras fanáticas, usados como escudos humanos e devastados pela sua tirania.

Quanto mais se espera para tratá-lo, pior ele fica, e mais severo torna-se o tratamento necessário para vencê-lo.

No Sul do Líbano, onde Israel falhou em derrotar os terroristas em 2006, a enfermidade se espalhou: o Hezb’allah (Partido de Alá) tem agora três vezes mais mísseis do que antes, e os terroristas têm o governo libanês sob seu controle.

Exatamente como em 2002, Israel optou por combater o coração do terrorismo [em Gaza], enfrentando denúncias de todo o mundo, manifestações de multidões, resoluções da ONU e falatórios sobre crimes contra a humanidade. Agora, como naquele tempo, essa foi a decisão correta.

A operação foi dolorosa: o número de civis feridos e mortos, apesar de ser muito inferior à de campanhas comparáveis em outras partes do mundo, certamente é intoleravelmente elevada – um reflexo da extensão e profundidade da infra-estrutura terrorista que cresceu ali nos últimos três anos.

Como em 2002, os beneficiários reais do sucesso da campanha israelense serão os próprios palestinos. A paz somente será alcançada quando for dada aos palestinos a liberdade de construir instituições civis reais, e quando puder emergir uma liderança sem medo de dizer aos seus próprios cidadãos que a violência, o fanatismo e o martírio não são o caminho que deve ser seguido pelos palestinos.

Mas isso somente poderá acontecer depois que a malignidade do terrorismo for removida do seu meio. Por mais desagradável que isso soe, essa é a única fonte de esperança para Gaza. (Natan Sharansky, extraído de The Jerusalem Post - publicado na revistaNotícias de Israel - http://www.Beth-Shalom.com.br)

O autor é presidente do Instituto Adelson de Estudos Estratégios do Centro Shalem. Ele foi o mais conhecido dos “prisioneiros de Sião” (judeus que eram impedidos de sair da União Soviética). Quando, finalmente, foi libertado da URSS, emigrou para Israel, onde iniciou carreira política e foi ministro e vice-primeiro-ministro.